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27.4.13

diário de leitura: Precisamos Falar Sobre o Kevin


Comecei a ler o ebook de Precisamos Falar Sobre o Kevin em janeiro e hoje ainda estou na página 117 (do ebook, no livro físico deve ser outro número). As razões: 

1. Estava alvoroçada querendo ler todos os livros lançados até agora de As Crônicas de Gelo e Fogo e atrasei toda e qualquer outra leitura, porque sempre furava a fila. E como cada livro da saga tem entre 600 e 800 páginas, só acabei de ler no início de abril. 
2. Precisamos falar sobre o Kevin é, para mim, igual à Lolita. 

Explicando: ano passado, tentei pela 3ª vez ler Lolita (diário de leitura parte 1 e parte 2) e, como eu disse nos posts linkados, é um ótimo livro, mas de leitura difícil. PFSoK é igualzinho: ótima escrita, ótima história, mas é cansativo. Leio duas páginas e começo a divagar, pensar em outras coisas ou em outros livros da lista de leitura. Não entendo porque esses dois livros me cansam: eu gosto deles, portanto isso nunca vai entrar na minha cabeça. 

Sobre o livro, no início achei chato porque é a Eva (mãe do Kevin) que conta a história. E ela é uma coroa burguesa e mulherzinha e nojenta. Juro que não tô exagerando. Ok, talvez esteja, haha. Mas Eva realmente me dá nos nervos, e nada tira da minha cabeça que o Kevin direcionou toda a psicopatia dele para ela porque ele sabia que Eva – SPOILER – se arrependeu de ser mãe quando ainda estava grávida. E como grávidas transmitem o que sentem para os bebês... já viu, né? Até agora, não aconteceu nada excepcional no livro porque ele começa falando da vida da Eva e do Franklin (pai do Kevin) antes da gravidez. Só que eu não aguentei, e várias vezes pensei que fosse largar o livro, aí corri e fui ver o filme que é muito bom, mas deixa alguns buracos na historia. Então ler o livro é imprescíndivel para entender completamente a historia. 

O livro é contado através de cartas de Eva para Franklin, que eu não sabia se seriam entregues, mas depois de ver o filme, tive certeza de que não serão. Como eu disse no início do texto, é uma ótima historia, e o Lionel Shriver escreve monstramente bem. Cheguei até a grifar alguns trechos, como esse: 

Não devia ter levado para o lado pessoal, mas como não fazer isso? Não era o leite de uma outra mulher que ele não queria, era o leite de sua mãe. Na verdade, acabei me convencendo de que nossa trouxinha de felicidade tinha descoberto meu jogo. As crianças têm uma intuição fantástica, porque a intuição é mais ou menos tudo o que têm. Tenho certeza de que, quando eu o pegava no colo, ele detectava um certo enrijecimento em meus braços que abria o jogo. Estou convencida de que, quando eu arrulhava e sussurrava para ele, Kevin inferia, graças a um sutil exaspero em minha voz, que sussurrar e arrulhar não me vinham de forma natural, assim como também tenho certeza de que seus ouvidos precoces conseguiam isolar, daquela interminável fieira de papagaiadas lenitivas, um sarcasmo insidioso e compulsivo. Mais ainda, já que eu tinha lido — perdão, você tinha lido — que era importante sorrir para o bebê, na tentativa de provocar um outro sorriso de resposta, eu sorria e sorria, sorria até ficar com o rosto doendo, mas, quando meu rosto ficava dolorido, estou certa de que ele sabia. Toda vez que eu me forçava a sorrir, era muito claro que ele sabia que eu não estava com vontade de fazer isso, porque nunca me sorriu de volta. Ele ainda não tinha visto muitos sorrisos na vida, mas tinha visto o seu, e era suficiente para reconhecer que, comparativamente, havia algo errado com o da mamãe. 

Essa passagem ilustra e reforça a minha tese de que o Kevin escolheu a Eva para Judas só para descontar o desamor dela como mãe. É uma coisa meio: Não me ama? Pois vai me odiar, mamãe. Claro que a rejeição da Eva não é justificativa para tanta ruindade numa pessoa só, porque a maldade do mundo chegou no Kevin, fez um bangalô e ficou por lá mesmo, mas explica o comportamento agressivo contra ela, isso seguindo a minha interpretação dos fatos. 

A parte chata de já ter visto o filme é que sei como acaba a historia. Em contrapartida, tem duas coisas boas: a primeira é que tive certeza de que vale a pena a leitura - mesmo morrendo de ódio da Eva e conseguindo não sentir uma gota de pena dela - porque é uma historia maravilhosa e do jeito que eu gosto: grandiosa e bem escrita. A segunda coisa boa é agora os personagens tem um rosto, e vai ficar mais fácil imaginar as cenas. O Ezra Miller facilita muito a imaginação da gente, haha. 

Apesar do longo tempo me arrastando, não desisti ainda. Tenho a vida toda (e muitas páginas) para terminar esse livro. Logo menos, trago um novo texto sobre minhas impressões de Precisamos Falar sobre o Kevin.

26 comentários:

  1. Oii Gabi, não tinha ouvido falar desse livro ainda... só não quero ficar com raiva da Eva como voce KK
    Esse trecho do livro me tocou bastante!!
    Esta no whats? Preciso de voce la ;D

    Bjinhos

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  2. Eu estou lendo,e te dou créditos de que a Katchadorioun é nojenta mesmo!

    http://emummundopossivel.blogspot.com.br/

    Beijos'

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  3. Gabi, você acredita que tenho esse filme baixado aqui e não assisti? Não sabia que tinha o livro, vou procurar. Porém, eu sou como você, leituras com palavras tão rebuscadas me cansam, mas fazemos um esforço. hahaha Lolita que o diga. Mas, voltando ao post, você só me deixou com mais vontade de assistir logo esse filme, apesar de também querer o livro. Nunca tinha assistido (não que eu lembre) um filme com Ezra Miller, só aquele "As vantagens de ser invisível" e gostei da sua atuação. Acho que vou gostar nesse filme também. ^_^

    Beijos,
    Arih

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  4. Eu ainda não li. Mas de tanto vc falar dessa Eva já dá raiva dela. Bjus!

    galerafashion.blogspot.com.br

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  5. Oi, Gabriela! Entendo e acho da maior relevância. Mas gostaria muito de lhe fazer uma pergunta: quando retoma uma leitura, inicia do ponto onde parou ou do início novamente? Com tempo, deixe sua impressão no meu http://jefhcardoso.blogspot.com Ficarei honrado!

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  6. Guria do céu, eu DEVOREI esse livro. Acho que ele tem uma das narrativas mais bem construídas que já li na minha vida. Lionel Shriver é absolutamente gênia (siim, é uma mulher, apesar do nome!) e os personagens são brilhantemente bem construídos. Tive muita raiva de todos os personagens (até da Celia, pela passividade) durante a leitura, mas confesso que findado o livro, guardo muito mais ódio do pai banana do que de Eva ou de Kevin. Nenhum deles é admirável, mas a Eva conquistou meu respeito e compaixão na carta onde ela conta das coisas que passaram na cabeça dela no dia em que ouviu a notícia do atentado na escola. Nunca esqueci do final dessa carta.
    Amo esse livro de paixão.
    Beijo!

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  7. Eu ainda não tive a oportunidade de ler, mas pela resenha que você fez, não perco mais tempo.

    Assisti o filme e adorei, com o livro não vai ser diferente.

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  8. Ah, o titulo é bem interessante, lembro que vi o livro há uns meses quem sabe anos atrás e nunca esqueci esse título...to lendo Garota Exemplar por causa de uma crítica na internet, mas to que nem você...divagando, e mesmo que seja suspense não me prende como Sidney Sheldon...kk alguma dica ? rsrsrs

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  9. As vezes é bom ver o filme e depois ler o livro, pois além de dar mais vontade de ler o livro você descobre partes que não estavam no filme e fica mais apaixonada pelo livro né? hihi
    :*

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  10. Não tinha escutado falar desse livro/filme até agora. A sensação que esse livro depertou em ti, assim como Lolita, foi a mesma de quando li O Morro do Ventos uivantes. Por mais que gostasse, é estranho ler um livro que parece que a leitura não vai muito pra frente porque no mesmo dela se começa a pensar em outras coisas. Tenho por costume ler sempre os livros antes de ver os filmes, justamente pra não saber o final da história haha beijo!

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  11. Esse filme é sensacional! Já assisti duas vezes e ainda fico intrigada com a história haha

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  12. Quero muito ler esse livro, mas me recuso a ler em ebook. Preciso criar vergonha na cara e comprar o livro físico, que até com a capa do filme é bonito. E só depois disso é que pretendo ver o filme. Imagino que seja uma leitura densa mesmo, como já me disseram, afinal de contas, falar de perversão nunca é fácil (vide Lolita, por exemplo).

    Enfim, vamos ver no que dá. Espero que tu termine logo e venha contar o que achou.
    Beijo, Gabs!

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  13. Depois desse trecho, já quero ler o livro. Mas só tem dois problemas: tô sem tempo e tenho uns mil livros não-terminados! (exagerei!)

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  14. adoreiii saber dele, ja tinham em falado mas n liguei tanto,mas qndo li aqui me interessei bastante
    bju

    http://aieuvivantagem.blogspot.com.br/

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  15. Eu li antes do filme e também demoreeei a engrenar a leitura. Quaaase quase desisti. Mas como tinha sido indicação de um gde amigo, aguentei mais um pouco. Daí que chegou uma hora que eu não conseguia parar de ler!
    É, de fato, um ótimo livro. Tomara q vc tb "pegue gosto" por ele =)

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  16. Nunca li o livro e nem assisti o filme, mas fiquei bem curiosa.
    O problema é a questão do livro ter essa leitura difícil, porque toda vez que peguei um livro assim, acabei desistindo :/

    beijos b.caspirro

    http://www.pontoemcomum.com/

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  17. Realmente, tem livros que a gente se prolonga pra terminar mas não desiste, né? Já passei várias vezes por isso!

    Bom, não me interessei muito por este livro, achei cansativo só de ver essa sinopse comentada que você fez xD
    Mas espero que consiga terminar!

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  18. Não li o livro mas quando li que tu disse que era uma leitura cansativa e difícil, desisti. Sou dessas ahaha :~
    Vi o filme ano passado e fiquei chocada! Ainda não entendi direito o final do filme ~quando eles se abraçam~, mas é um filme sinistro. E concordo contigo: a rejeição da mãe não é justificativa pra tudo que esse menino fez!
    Uma coisa que preciso comentar: Kevin, quando pequeno (nem criança, nem adolescente, o "meio termo") é a coisa mais CHATA E INSUPORTÁVEL que eu já vi. Sério, tive vontade de parar de assistir o filme por causa dessa criança retardada. Pronto, falei!
    Beijos

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  19. Eu não li o livro e nem vi o filme. Mas pelo que você falou o livro deve ser um tédio, rs.
    Eu amei o blog, muito lindo mesmo. Parabéns, vou sempre estar aqui (:

    ontendency.blogspot.com

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  20. Ah! Finalmente alguém com a mesma opinião sobre o livro!
    Achei super cansativo e não tenho vergonha de dizer que abandonei. Abandonei mesmo, não me arrependo, a vida é curta, etc. etc. hahahaha
    Beijo.

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  21. Já ouvi tanto falar desse livro/filme e até hoje não li nem vi :( É tanto livro na fila que fica difícil. Mas já que sua opinião é negativa, acho que vou apenas assistir mesmo, assim economizo tempo de leitura AHAHHA Amei o blog!

    www.themelodyinside.com

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  22. só sei que você está certíssima nas escolhas literárias. keep going girl!

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  23. Vi esse livro no skoob, mas confesso que não marquei que 'vou ler' por que fiquei com medo da capa(!), ou seja o filme eu não assistiria MESMO. Sei lá, não curto a mistura maldade + crianças, me lembra O Grito, por mais que não seja tudo isso pavoroso que eu estou julgando. Hehe, você é chorona e eu sou medrosa, cada um com suas fraquezas.

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  24. Já estou te seguindo
    seu blog é maravilhoso, convido você e suas leitoras a conhecer meu blog
    http://toobege.blogspot.com.br/
    beijinhos

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  25. Também tenho tentado ler esse livro e é realmente muito bom, mas é daquele tipo que você tem que estar inspirado, sério, porque é uma leitura que só rende se for ad infinitum, aí também adio o filme e ficamos assim: sem um e outro.

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  26. Lembro que assisti esse filme ano passado e gostei muito, mas senti um vazio na história como se muita coisa faltasse ser explicada porque, talvez, ela fosse bem mais complexa do que o filme poderia mostrar sem fugir do formato que eles queriam.
    E lendo essa resenha do livro, mesmo você tendo dificuldade, me fez querer muito ele já que acho que todas as falhas do filme serão preenchidas no livro. :)

    Pale September

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