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26.1.13

a pessoal pluralidade

daqui
Acho que eu sou doida, acho mesmo. Faço do sentir um joguete psicológico, e o deve ser mesmo, porque coisa mais fácil é transferir o que se sente de uma pessoa para outra. E quando dou para filosofias, entendo que esse é o meu jeito de não sofrer, de não passar meses e meses me derramando e esparramando, sem nunca pensar de mais em alguém que não pode estar comigo. Ou não quer. 

Sempre há o livre arbítrio. O livre arbítrio, que olha, às vezes me pego pensando sobre ele também, me pego pensando em muitas coisas, inclusive nessas meio etéreas. Então, me pego pensando que o livre arbítrio é o que nos ferra todos. De repente não foi uma ideia sábia dar liberdade de escolha a nós, humanos tomadores de decisões tolas, porque mesmo quando a intenção é boa, o resultado é ferrado. Sofremos mesmo porque somos tomadores de decisões tolas e, simples e lindamente assim, nos ferramos quando pensamos estar indo pelo caminho certo. Ou talvez as pedras sejam o caminho certo, sei lá, dá preguiça defender os dois lados da historia. 

Mas eu falava de mim, acho mesmo que uso um escape disfarçado tão bem que eu mesma não percebi até hoje, esse dia em que não fiz nada tão acentuadamente que fui forçada a questionar a mim mesma e as resoluções que tomo, sem de verdade ter tomado. Além do livre arbítrio, há o subconsciente que também toma decisões sem nos consultar. E é isso o que somos: uma casa coabitada por tantos indivíduos quanto se é possível, que ao mesmo tempo é e não é parte de nós, e tão independentes e de vida própria que tanto faz – ou não – se tomamos ciência das coisas que passa dentro da gente. 

Seremos sempre um mistério, tão óbvios e tão secretos, cheios de vielas e passagens escondidas, que nos torna quem somos ao mesmo tempo em que nos camufla, e só nos damos conta de que somos habitados por pequenos estrangeiros que forma o que somos, que tomam decisões para o bem comum do futuro do país que cada pessoa é. E só na solidão é possível se dar conta de quantos somos, sendo um só. E essa descoberta dá um medo danado e a gente começa a achar que ficou doida. Começa mesmo.

15 comentários:

  1. Nossa.
    Que lindo!
    É verdade, nós não estamos sozinhos nem quando juramos estar, porque somos muitos dentro de um!

    Adorei voltar pra cá!
    Beijão

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  2. Acho que não seja tão fácil assim transferir, é difícil, muitas vezes nem conseguimos sentir a mesma coisa na mesma intensidade por outra pessoa. Beijos

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  3. Da um medo sim, é estranho, mas a vida é assim, descobrir e amadurecer.

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  4. Pra mim já é tão normal se sentir assim. Acho quase tudo no mundo idiota, inclusive eu, que sou o maior.

    E é verdade, talvez a solidão sirva pra isso, pra mostrar o que a gente se tornou durante esses últimos anos, o que a gente guardou de bom, o que nos tornamos, e onde está a melhor parte disso tudo. O vazio da solidão sempre vai está cheio de coisas, e não falo somente de ar...

    Sabe esse ultimo trecho, ficou muito bom... Boa tarde!

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  5. Gabi, a liberdade é um dos fardos mais pesados que carregamos, com toda a certeza..
    Beijo!

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  6. A liberdade, ao mesmo tempo que é algo maravilhoso, que conquistamos com tanto esforço, também pode ser o caminho mais rápido para a destruição.

    Não é fácil ser livre e, muito menos, lidar com a responsabilidade que vem inclusa. Isso nos enlouquece um pouco sim, mas qual a graça em viver na normalidade, sem questionar ou usar a dádiva que a liberdade consegue ser?

    Muito bom o texto!

    Beijão :*

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  7. Que lindo teu Blog, e teus posts, ja estou te seguindo, seria muito bom se voce me seguisse tmb :)
    http://ghislleibr.blogspot.com.br/

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  8. Voltei!

    É só pra avisar mesmo que te indiquei pra um meme lá no blog, depois dá uma olhadinha, viu? É uma Campanha de Incentivo à Leitura, achei uma delícia fazer, talvez você goste!

    Beijão :*

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  9. Somos mesmo muitos e isso pode ser assustador! Que belo texto!

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  10. Oi Gabi, nossa menina que lindeza esse texto . Li de uma "golada" só. rs. Depois li com mais calma respirando fundo e sublinhando frases, porque você traduziu o que mais eu tenho feito ultimamente: perambulado por essas vielas e passagens escondidas dentro de mim, e desoberto cada coisa que assusta. rs:P

    =*

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  11. Essa é a enorme graça de SER humano! ;D

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  12. e quando se está tão solitário que mesmo em si mesmo parece que não existe ninguém? ou que todo mundo foi embora?
    o livre arbítrio é quase utópico quando se trata de lutar com nós mesmos.

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  13. "E só na solidão é possível se dar conta de quantos somos, sendo um só. E essa descoberta dá um medo danado e a gente começa a achar que ficou doida. Começa mesmo."

    É sempre na solidão que me encontro comigo mesma, que descubro os meus maiores medos e dúvidas. E claro, isso ás vezes assusta, mas faz amadurecer bastante quando resolvemos deixar o medo de lado e encara-lo!

    Belo texto!

    Beijos

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