um blog de inspirações e expirações

28.12.12

almas inconcretas não crescem


Reviro a cabeça em movimentos circulares e frenéticos e mesmo assim não consigo entender como pude ficar tão diferente sem sequer ter notado. Mudei, me perdi, ou só mudei mesmo. E não que isso seja ruim, é que é ruim. A gente cresce e espera não se sentir mais sem rumo na vida, sabendo o que vai ser quando crescer, tendo certeza absoluta sobre todos os quereres, sendo firme nas decisões que toma, sem medo nenhum porque agora já é um adulto, e um adulto sempre sabe o que está fazendo. 

Daí eu piro mesmo, porque sou adulta e nada disso funciona para mim. Continuo com a vida biruta e me descabelo quando penso que tô ficando velha, mas ainda não sou adulta. E às vezes penso que não vou chegar a ser. Às vezes penso que há pessoas que nasceram para nunca serem adultos responsáveis e seguros do próprio destino, destemidos e corajosos porque o futuro é inquestionavelmente estável. São pessoas que nunca se sabem com certeza porque tem a natureza volúvel, são pessoas de alma mutável, livres dessas obrigações banais que definem o que é crescer. Porque crescer virou isso: ganhar dinheiro e ter uma casa e sempre se manter em linha reta. Instabilidade foi banida, esqueça essa utopia quando chegar à idade de ir para a faculdade. 

Mas na verdade, não há nada de errado em levar uma vida de adulto, uma vida segura, estável, em linha reta. O que realmente não funciona aqui é o fato de que faço parte desse grupo de almas mutáveis. Eu simplesmente não sei o que fazer. Não escolhi uma maneira de viver a minha vida de adulto e os anos simplesmente vão passando, marcando passo. E sinto – tão grande – que perco tempo me buscando enquanto todo o resto vai passando, os amigos vão crescendo e se transformando em senhores dos próprios destinos. E eu ficando plateia. E eu atônita, sem farol. E piro novamente. Pensando que vou chegar ao fim da vida sempre me buscando e quando estiver bem no finzinho, vou finalmente compreender que esse era o meu eu de verdade, um eu buscante. 

E piro pela terceira vez, num susto enorme e com um arrependimento antecipado: não quero ser um eu buscante! Eu quero ter certeza do que eu sou. Quero poder dizer com a boca cheia de dentes o que eu sou quando alguém perguntar. Não quero precisar dizer que sou um eu buscante, um eu indefinido, um eu de natureza inconcreta. 

Eu não tenho rumo nem luz no fim do túnel e esse futuro de que não se pode fugir me queima os olhos assustadoramente.

21 comentários:

  1. A vida é uma mudança constante. Mesmo quando pensamos que já temos a vida que sempre quisemos, um minuto é suficiente para que tudo mude.

    Eu não costumo pensar no futuro, porque não sei se estarei viva amanha para o aproveitar. Acho que é melhor aproveitar-mos o dia de hoje porque é este dia que estamos a viver.

    A mim dizem ser excêntrica porque procuro viver a vida do jeito que mais me faz feliz e não como a sociedade que devo viver. E no final, não importa muito o que os 'outros' pensam porque cada um é que sabe da sua vida e daquilo que os faz feliz.

    Aquilo que 'eles' acham que nos fará feliz (porque sair com uma determinada pessoa ou ter uma certa profissão pode nem ser o que mais nos trará felicidade no futuro.

    Desculpa se me excedi no comentário. mas acho que todos deverias viver a vida como queremos, desde que essa vida seja moralmente correcta e não aquela que faça mal aos outros ou até mesmo a nós mesmo. :)

    Beijokas

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  2. Acho que muitas pessoas passam por isso. Porém, são poucas as que conseguem descrever esse sentimento de uma forma tão precisa. A vida tende a ser assim mesmo. Uma constante mudança que nunca conseguiremos alcançar.
    Ótimo texto.
    Beijos flor

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  3. Meu Deus.. eu podia tanto ter escrito esse texto, que ele me assusta e me acalma ao mesmo tempo. Pensei que fosse só eu. Meu sonho era crescer pra me encontrar. E quanto mais eu "cresço", mais eu me sinto perdida..

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  4. Adorei o texto!
    Penso muito sobre esse assunto. Também sou cheia de incertezas e acredito que ficarei um bom tempo tentando descobrir e buscar o que realmente sou. Talvez essa seja a missão da minha vida, não sei. Mas a gente cresce, por menos que queiramos, uma hora temos que enfrentar o que a dita maturidade nos espera. Sei que não estou preparada nem me vejo um dia pronta para grandes responsabilidades, mas espero um dia poder dizer de nariz em pé e um sorriso bonito do rosto o que sou e o que conquistei. Isso se eu não me perder no caminho do crescimento!
    É inevitável e, por mais que nossas almas permaneçam buscantes, um pedacinho da gente sempre vai saber de verdade o que queremos: liberdade!
    Não seria nada mal, hein?

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  5. Fernando Figueiredo29 de dezembro de 2012 02:49

    Sigmund Freud já dizia que não há civilização sem repressão. Ignorando a carga emocional negativa desse último substantivo, ele quis dizer que, para que se possa viver em sociedade com o mínimo de harmonia, é preciso fazer concessões, inclusive cedendo espaço à visão alheia em nossa vida. Logo, podemos inferir que a natureza e a sociedade não foram engendradas para nos permitir fazer o que quisermos na hora em que nos der na telha sem prestar contas a ninguém, e assim a felicidade resulta liminarmente sabotada. Partindo daqui, podemos chegar a uma outra conclusão: havendo a obrigação, ainda que intermitente, de prestar contas, podemos chegar à conclusão de que ninguém é "senhor do próprio destino". Se há algum de fato, eu garanto: é a pessoa mais solitária da história humana. E se já morreu, na certa foi suicídio.

    Biologicamente, a vida é apenas uma busca incessante, com necessidades que se renovam - fisiológicas, de segurança, de afeto, de estima e autorrealização, nessa ordem (há controvérsias) -, logo, todo mundo está buscando algo. Ainda que esse algo seja apenas manter-se na linha reta. Para nossa tristeza, os materialistas não estão totalmente errados quando dizem que "somos aquilo que temos e fazemos".

    Por último, o fato de não saber jamais o que é não inviabiliza a felicidade. Talvez seja até ao contrário.

    Manter a cabeça sobre o pescoço: você pode até não se conformar apenas com isso, mas não pode negar que esse é o passo inicial para a busca pela felicidade (que é também uma necessidade autorrenovante).

    Obrigado pelo espaço.

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  6. Dona Gabriela, vá escrever bem assim e causar identificação lá no mato! hahaha Brincadeira. Mas, de fato, me vi tanto em suas palavras... Acho que nunca me verei realmente como adulta. Ao menos não como adulta "estável". A vida é essa coisa linda, cheia de nuances, e seria uma grande pena se eu me reservasse a usar apenas tons de cinza (não os do Mr. Grey, please).
    Beijo!

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  7. Uma coisa que aprendi é que é impossível ter certeza absoluta de tudo. A vida é tão constante...
    Mas mudanças são normais na vida, temos que nos adaptar a elas.

    Beijos

    http://cafeeocio.blogspot.com.br/

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  8. É engraçado... Tanta gente acha que quando "crescer" tem que ter uma vida estável e todo o resto... Mas todo mundo que está crescendo vê que não é assim, tão certo. As coisas podem sempre mudar e isso deixa a gente nervoso, é normal.
    O importante é seguir em frente e acreditar que vai dar certo porque se você buscar isso, uma hora vai dar!;)

    Beijos, adorei o blog e seus templates! Até peguei um pra mim, mas devo usar só maaais pra frente, quem sabe! ;*

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  9. Olá, Gabriela! Tudo bem?
    Nós queremos ser "Adultos" e - quando o momento chega - o desespero é enorme, né?
    Aprendi que - algumas vezes - temos que deixar a vida por conta do destino! :)
    Tenha um maravilhoso 2013!
    Beijos!

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  10. Gabi, que susto. Fui lendo e parecia realmente que eu tinha escrito isso. De verdade. Tanto que não sei bem o que te dizer.
    Essa angústia apavorante de não saber quem somos ou o que vamos fazer é meio que a minha pré-condição existencial. Tenho esperanças de superá-la, mas todos os sábios que eu conheço dizem que é isso aí, somos essa busca. Mas aí paro e me pergunto se todo mundo é assim ou eu só dei azar dos sábios serem exatamente o tipo de alma que eu sou. "Buscante", como você disse.
    Fazemos um pacto, quem descobrir primeiro conta.
    Beijo!

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  11. Eu penso que a gente deveria ficar mais sábio com o tempo, mas parece que quanto mais 'adulto' mais dificil a vida se torna; eu também me sinto assim, meio sem rumo, numa hora você tem certeza do que quer, no momento seguinte a vida tá acontecendo de um jeito totalmente diferente do que se esperava, e sem a nossa permissão.

    p.s
    perdoe-me a invasão, já tinha lido outros texto no seu blog, que encontrei graças a um link no Bonjour Circus, e gostei daqui. :)

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  12. Ah... algumas pessoas (assim como eu) serão eternas crianças velhas! Também me sinto perdido todos os dias... também paro pra pra pensar no que é que estou fazendo da minha vida... esses dias, tirei algumas fotos minhas e quando olhei, vi uma outra pessoa... já aconteceu com você? Como se o EU, estivesse apenas preso dentro desse corpo... olhei para minhas mãos e braços como se fossem um outro ser! Muito estranho isso, mas mostra como também sou confuso e talvez também, um quase eterno ser buscante!

    Mas, ó... fique em paz! Estou passando pra desejar um ótimo fim de ano, e que tudo de bom aconteça pra você e sua família! = D

    Beijão!

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  13. Amei o texto. Essas mudanças, os crescimentos... quando a gente jura que está compreendo tudo, só nos perdemos mais.

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  14. Crescer não é fácil. Outro dia mesmo, acho que no dia de Natal, fiquei pensando o quanto me achava inadequada como adulta. Sei que mudei a amadureci, os anos de faculdade provam isso, mas da mesma forma acho que ainda mantenho aquela parte adolescente que não quer viver "linearmente". Acho que a maneira como a vida nos é imposta atrapalha tudo. Nem todos nós nascemos para ter aquela vida padrão de trabalho, casamento e filhos. Sei lá, parece que tem tantas coisas novas a se descobrir! O mundo e a vida vão muito além disso. Me sinto confusa assim por grande parte do tempo - apesar de que quem está de fora achar que eu tenho pleno domínio da situação, rs.

    Enfim!
    Um lindo 2013 pra você! =*

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  15. Incertezas são muito mais constantes na vida do que se imaginava quando se era criança, né? Eu também tinha essa imagem -e, para ser sincera, até hoje tenho- que os adultos sempre sabem o que se deve fazer em todas as situações do cotidiano.
    Cá entre nós, chamo isso de "Habilidades-Mamãe".

    É por isso que eu só cresço fisicamente, digamos assim. Não quer dizer que eu não tenha amadurecido com as minhas experiências, mas sim que eu ainda pare e assista ao Disney Channel. E foi exatamente esse costume que me fez ter certeza do que eu quero para a minha vida, do que eu gostaria de passar o resto dos meus dias fazendo.

    A chave para se descobrir, digamos assim, é encontrar algo na sua vida que a faça ter a mesma reação: Parar e contemplar. Mesmo que seja numa situação imprópria ou num horário apertado. Numa noite de chuva ou em um dia nublado.

    Escolha fazer o que te faz sorrir. Porque assim você vai obter as "Habilidades-Mamãe" da maneira mais natural possível.

    Pra mim funcionou... Mas não quer dizer que eu não tenha demorado pra achar a resposta. Bem, é prestar atenção em si, nos mínimos detalhes.

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  16. quando crescer é necessário e a gente se perde em muitas questões. é que o mundo não deixa de ser mundo e só nós mesmos podemos mudar e fazer alguma diferença com as nossas vidas.

    grande abraço, sweetheart.

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  17. Mais um texto incrível, pirei com ele *_*
    Não sou muito de pensar no "futuro", mas sei que é inevitável quando crescemos.
    Um feliz 2013 repleto de saúde, paz, amor e muitas postagens hehe
    Grandes beijos!
    http://www.momentolala.blogspot.com.br/

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  18. Sucesso, saude e muita felicidade no seu novo começo.
    Beijos

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  19. Iiiih. Estou trabalhando desde os 18, e tou um cacareco velho de 22 anos. Ainda não tenho casa, nem carro. Nem fiz meu intercâmbio. Termino a faculdade ano que vem. E socorro. Não sei se é isso que quero ser. Uma administradora que trabalha com publicidade, faz fotos para a família, escreve aqui e acolá e quer ler livros o dia inteiro, mas acaba saindo para namorar e ver filmes. A vida dos sonhadores é assim, bem imutável, bem abstrata, bem incerta. A vida dos que sabem o que querem é mais fácil, mais segura. Mas no fim das contas ninguém sabe de nada, o futuro pertence a Deus, para quem acredita, ou a ninguém, para os descrentes. Tem que desencanar um pouco, ler mais, entender o que você gosta e o que não gosta. E quando perceber o que gosta, se especializar nisso. E cobrar por isso. Teu sentimento é normal, mas as pessoas não gostam de expor suas dúvidas.

    Nathalie fala um pouco sobre isso no livro "manual para jovens sonhadores". Fiz uma humilde resenha lá no meu blog, fica a vontade pra ler.

    Desejo mais esclarecimentos na sua vida, dona Gabriela. Como tou numa relação de interesse, só espero que você tenha certeza da paixão pela escrita e a vida de blogueira, hihi. Tu me faz feliz com as palavras. Quem sabe não é esse teu talento $$$?

    Beeijo.

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  20. Como eu me identifico. Sou exatamente desse jeito, me sinto assim.
    Crescer tem sido uma experiência complexa, rs.

    Adorei seu blog.

    Beijos,

    Carissa
    artearoundtheworld.blogspot.com

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