um blog de inspirações e expirações

12.10.12

outside: ordem de despejo


daqui
Descobri o novo que me distrai: passar as horas tentando abrir um zíper imaginário nas minhas costas, para puxar pelas abas de dentro e me avessar e expor os vasos e as vísceras, sobretudo o coração. Porque eu já não sei como esvaziá-lo de você. Ele está cheio de você. Meu coração está farto de você. Farto completo. Farto cansado. Você podia simplesmente se aboletar num paraquedas, abrir a portinhola e dar o fora. 

Sabe? Sentir cansa. E olha que eu sou defensora ferrenha dos sentimentos: a gente tem mais é que sentir mesmo. Mas cansa, viu? Desgasta, corrói, corrompe. E a gente fica querendo que tudo flua para fora, para bem longe. A gente fica querendo a respiração compassada de volta, e fica querendo não suspirar mais, nem gastar os rolos do cérebro pensando e pensando e pensando. E tem o aperto no peito. O maldito aperto no peito. Não quero mais o aperto no peito. Eu quero ser leve, sem superlotação aqui. No meu corpo só cabe a mim, mas pelo que vejo a alma é o puxadinho, e coube você também. Mas tá apertado, viu? Tá apertado e fico esbarrando em você o dia inteiro, às vezes, durante a noite também. Assim fica difícil. Acho que é isso: tô pedindo gentilmente para você dar o fora de dentro de mim. Sem pornografia, tô falando de alma mesmo. Desisti de tentar te expulsar de mim. Ou me expulsar desse corpo que você tomou conta, dessa alma onde você se alastrou. 

Sem esperanças, vou sentar ali no cantinho e esperar, pacientemente, até que eu não sinta mais você. Nem aquele aperto.

Chame de exagero
Diga que é bobagem
Vou deletar meu corpo da tua tatuagem
(Nem mais um dia ♪♪ EngHaw)
 
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