um blog de inspirações e expirações

5.9.12

bullshits cerebrais

daqui
Tem dias que paro e observo as teclas do computador, como se esperasse que as ideias escondidas nos meus pensamentos – essas que ainda não me dei conta de que existem – pulassem pela caixa dos olhos e tingissem o papel da tela. Sem que eu precisasse comandar, porque há dias em que não consigo entender o idioma dos meus pensamentos. Há dias em que meu cérebro pensa num idioma pessoal e intransferível que não consigo cambiar para o habitual português surrado. Meu cérebro é vasto e inundado de ideias ideias ideias, bem sei, mas às vezes as percebo – ou não as percebo de jeito nenhum – embora saiba que estão lá ou aqui, habitando em mim sem alarde como um vizinho desejável e silencioso. 

E me torno tensa. De energias internas que formam uma massa densa daquilo que não sei descrever, e me força de dentro para fora. Tanto, que chego a desejar sabe puxar para fora esse lado de dentro até sentir o alívio escorrer, formando uma poça abaixo dos meus pés. Eu ficaria olhando-a, comparando com uma poça simples de água da chuva, ou com uma poça esparramada de quando se quebra um copo que estava cheio. Qual seria mais transparente? Meu alívio não seria sem cor, insosso, seria de qualquer cor, mas seria notável, visível, palpável como um troféu que se exibe depois uma vitória improvável. Meu alívio seria estampado como um vestido de chita feliz. Jamais liso como um vestido de seda melancólica.

6 comentários:

  1. Eu sempre quis ter a capacidade de me virar do avesso, não pra ver os órgãos pois sei que eles devem ser horríveis, mas para ver o que se passa aqui dentro, o que determina minhas atitudes, o que faz de eu eu, sabe? E ao contrário de você, não sei como seria minha poça d`água, não sei com qual vestido se pareceria, creio que com o de seda melancólica, mas talvez não. Não sei mesmo.
    Abraços!

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  2. e quantas vezes eu quis que o mundo me entendesse, sem perceber que no fundo, era porque eu mesma não conseguia me decifrar....
    beijoca

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  3. Tenho vivido num dilema tremendo. Muitas vezes acordo decidida, mas em menos de uma hora já estou indecisa de novo. E é a hora que me pergunto o que está acontecendo comigo. Não entendo minhas próprias emoções. Vá saber, se eu mesma não consigo discernir, alguém pode por mim?! Humanos são meio loucos hehe

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  4. Isso me acontece com tanta frequência! São esses,justamente esses, indecifráveis, muitas vezes, os mais bonitos pensamentos; os mais majestosos. E esse seu "português surrado" é encantador. Mesmo aí, só na sua cabeça, tenho certeza, é encantador.

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  5. Guria, você faz até assuntos tensos - como essa angústia de pensamentos inexprimíveis - se tornarem poeticamente bonitos. ♥
    E quem nunca ficou assim, sem conseguir expressar o inexpressável? Sim, isso agonia. Mas rende bons textos também.

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  6. descreveu perfeitamente a sensação que muitas vezes me persegue hehe. não sei se chamar de agonia é exagero, mas muitas vezes me sinto assim, pressa, como se precisasse muito escrever uma coisa que não sei ao certo o que é.

    faz muito tempooo que não passava por aqui e continua tudo muito lindo, layout clean e fofinho e textos gostosos de ler.
    se cuida :)

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