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7.9.12

ah, esses cachorros espanhóis...

Me meti a assistir um curta super cult que me recomendaram: Um cão andaluz, de Luiz Buñuel e Salvador Dalí. E posso usar a informação de que é um curta surrealista para justificar o fato de que eu não entendi absolutamente nada. 1929, preto e branco, cinema mudo. Pelo que vi, é desprovido de cronologia, sem cerimônia nenhuma: no começo, onde habitualmente teríamos um singelo Era uma vez..., temos um Oito anos depois, que já me deixou sem entender nada logo de cara. A cena inicial é uma das mais marcantes e importantes – essa que ilustra o texto – que se tornou “a cara” do filme (pesquisando por imagens do filme, ele pipocará aos montes), talvez até porque foi interpretada pelo próprio Buñuel, e que me deixou alucinadamente exasperada. Eu só conseguia pensar “o olho da mulher, o olho da mulher, o olhooooo da mulheeer!!!” 

As cenas seguintes se passam entre “a mulher da cena do olho” – que inclusive tem uma cara miseravelmente inconfundível de gente nascida nos anos 20 – e outro ator que, para mim, foi o reprodutor da minha confusão cinematográfica: ele é maluco, tenho certeza. Não vou descrever a sinopse, porque Um cão andaluz não tem sinopse. Pausa para pokerface. Depois de ter assistido os 15 minutos do curta, fiquei com a impressão de que eu era/sou burra para esses filmes cult e portanto jamais poderia assistir um Godard, por exemplo, porque seria uma baita perda de tempo. Mas agora, um dia e meio mais tarde, tendo pesquisado e lido algumas coisas sobre o filme, penso que tem muito a ver com subconsciente e interpretações pessoais e que cada pessoa vai entender as cenas da sua forma (os que se propuserem a pensar no assunto, claro). O curta é repleto de metáforas que eu não entenderia se não tivesse lido, como essa onde a mão do ator aparece cheia de formigas, que remete à expressão francesa fourmis dans les paumes (formigas nas mãos), representando desejo de matar. Sinceramente, para mim parece mais que o desejo desse moço um tanto quanto despirocado das ideias não é matar exatamente de morte a mocinha, que ele persegue por incansáveis minutos, apalpando os seios da pobre – esse trecho chega a ser cômico, ele apalpa peitos imaginando uma bunda, é agradável de tão bizarro – que fica fugindo desse tarado, que se tem mesmo um desejo de matar, sei lá, de repente é de cansaço, depois de seguidas e tórridas noites. 

O final é menos entendível do que o resto. O cenário muda completamente quando a mocinha sai do quarto, depois de mostrar a língua para o tarado com formigas nas mãos, e começa a ventar. E eu pensando: oxe, tem um furacão dentro da casa da mulher, só que, querido leitor, era uma praia. A mulher fecha a porta do cômodo e dá de cara com a praia, e fica de namorico com um terceiro moço que está lá. E eu fiquei mais uma vez com cara de tacho rapado. 

No fim das contas acabei contando um pouco da história, mas foram só fatos concretos que não permitem segundas interpretações, porque, veja bem, são 15 minutos de surrealismo mesmo. Teus olhos veem, tua cabeça não entende e começa a inventar explicações, simples assim. Apesar de ter ficado perdida, oscilando entre sorrisos, pokerfaces e facepalms enquanto assistia, a sensação final foi boa. Talvez porque eu goste dessas sandices culturais, talvez porque seja realmente um filminho bom de ver. Eu gostei de Um cão andaluz, mas tive que pesquisar, ler, pensar e comparar para ver se o que eu imaginava fazia sentido, ou se o que li condizia com o que se vê no filme. 

Enfim, fica a indicação. Ame/seja a cultura, veja Um cão andaluz e tire suas próprias conclusões. Aqui no Youtube tem.

9 comentários:

  1. Eu até veria se eu não fosse a louca que tem agonia com tudo que envolve olhos. Ou seja: sem chance.
    Mas não sirvo muito pra esses filmes cults, não. Fico deprimida e ambiguamente confusa cada vez que assisto um. Abandonei Woody Allen por conta disso (se bem que Midnight in Paris é fofinho *-*).

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  2. Acabei de ver.. e menina que loucura. Não entendi nada. A cena do olho é angustiante. A mais ridícula é quando ele puxa aqueles pianos com cavalos mortos em cima. Muita doideira. kkk
    Beijos flor

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  3. Eu sou desinteligente demais pra entender essas coisas e já fiquei agoniada demais com o gif do olho da mulher DDDDDDD:

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  4. Porque filmes cults são sempre agustiantes e desgastantes??

    Acho que o principio é simples: fazer uma coisa que ninguém entende pra todo mundo se achar burro. Um amigo uma vez me indicou esse filme, mas como ele me indicou outros que eu detestei, nem me dei o trabalho de tentar vê.

    Beijo

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  5. Gosto de filme Cult, desses que não um nó na cabeça de tão confusos, que fazem a gente pensar por dias até entender alguma coisa,
    Acho que vou ver, rs.

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  6. Nunca assisti, embora já tenha ouvido falar. Acho divertido quando nos aventuramos em algo fora do nosso comum. É diferente aprender o novo. É surreal. é Salvador Dalí mesmo.
    Mas eu adoro filme cult, sabe.
    Abraços.

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  7. Adoro cinema, principalmente filmes assim. Nunca assisti a este, mas quero, quero sim. Depois volto para dizer o que penso sobre ele.

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  8. Eu fiquei quase o curta todo com cara de pokerface, mas é muito interessante, a parte do olho me deu tanta agonia.
    Adoro o Salvador Dalí e um curta muitooo bom que ele participa foi ele e o Walt Disney's : http://www.youtube.com/watch?v=1GFkN4deuZU
    E da pra entender perfeitamente.

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  9. Guria, vi esse curta na cadeira de Cinema na Publicidade e quase morri de agonia na parte do olho. Confesso que não gostei (cinema surrealista não é comigo) e confesso que também fiquei com cara de tacho quando assisti. Gostei bastante do jeito que tu escreveu sobre o curta HAHAHAHA e achei legal da tua parte ir pesquisar mais sobre "Um cão andaluz". Não é todo mundo que tem esse tipo de curiosidade.
    Beijos!

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