um blog de inspirações e expirações

1.7.12

dancing with tears in my eyes

daqui
Tocava Arctic Monkeys quando chegamos. Eu meio atravessada por dentro e meio arrastada por fora. Havia um ar de bailinho da escola, daqueles anos em que as mães ainda iam para a escola, talvez fosse a música, talvez fosse eu. Não importa o que era, importa é que eu não estava bem e tudo o que eu queria era voltar pela porta por onde tinha chegado. Ou por outra, eu realmente não fazia questão. Poderia até ser pela janela mesmo. Eu só não podia ficar por ali, correndo o risco de ver e de ser vista. Eu era só uma grandessíssima boba. Daquelas que merecia mesmo um trofeuzinho ‘boba do ano’. And the Oscar Trofeuzinho Boba do Ano Goes to... me. 

Achava que já havia começado errado por ter vindo vencida pelo cansaço, porque nessas horas de fossa recém-aberta, as suas amigas acham que o melhor a fazer é sair e badalar. Olha, nunca fui uma pessoa que badala. Nem se eu tivesse nascido sino, eu badalaria decentemente. Mas há isso de não demonstrar sofrimento: Ah, terminamos, claro meu querido, terminamos. E eu estou aqui, indo curtir uma balada em Ibiza porque sou linda e rica e solteira. O problema é que eu sou careta. Daquelas com carteirinha. Poderia ser um trofeuzinho também, afinal quem tem uma qualidade, tem duas, não é mesmo? Isso, eu sou bem careta. E acho que ficar em casa e passar um único dia (não mais que isso!) chorando resolve tudo, e era só isso o que pretendia fazer, mas eu escolhi ter amigas. Foi um lapso de vida ter escolhido ter amigas, ao menos nessas horas tenebrosas em que elas deveriam sentar comigo e me abraçar, mas ao invés disso, resolvem que eu deveria sair e me exibir para mostrar que estou maravilhosa&linda e que isso era a única coisa digna a fazer. Então vim. Viemos. Numa festa de alguém que não vem ao caso, comemorando alguma coisa que também não vem ao caso. Tinha gente bonita, gente interessante e tocava música boa, decidi que cederia e ficaria de boa vontade. Bebi uma coisinha aqui, conversei com alguém ali, nada demais, só para desanuviar, despistar o que quer que fosse que precisasse ser despistado de certas pessoas. 

Ele não estava lá, e honestamente não sabia se chorava ou agradecia aos céus, mas mantive minha pose mesmo assim e resolvi que iria aproveitar uma mísera vez que fosse. E prestei atenção na música. Ainda era Arctic. Ou era novamente. E fiquei feliz. Fiquei contente, alegre. Fiquei leve. Cantava e me balançava da melhor maneira que pude, sem teatros, sem encenações, sem tentar manter a dignidade empoleirada em cima do salto. I go crazy cause here isn't where I wanna be. Eu fui eu, apenas. Então notei: estava chorando. Sabe Deus se era de tristeza disfarçada ou de alegria autêntica. Eu me sentia leve, me sentia bem e se a razão disso fosse Alex Turner, bem, que fosse. Well, are you mine? Are you mine? Eu ria chorava cantada e era feliz. Estava sendo feliz e ninguém fora do meu pequeno círculo de felicidade importava. Eu estava sendo feliz e o seria até o fim. O dia seguinte seria o dia seguinte. A gente veria isso depois.

25 comentários:

  1. Que delícia de texto. As amigas as vezes se esforçam para o bem da gente, e muitas vezes elas tem razão. Também sou dessas que curte fossa o dia todo pra depois poder viver como se nada tivesse acontecido. Mas sair da nossa própria rotina interna também faz bem...

    Beijoca

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  2. "Nem se eu tivesse nascido sino, eu badalaria decentemente" True Story. Às vezes nós insistimos em fazer o que nós costumamos fazer em todas as situações difíceis, mas mudanças podem ser favoráveis.

    Beijos, Garota de All Star

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  3. A felicidade vem de onde a gente menos espera. ;)

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  4. POr um momento sermos nós mesmo, e deixarmos apenas rolar, e tudo nesse mundo se encaixará. Amanhã é outro dia ¬¬

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  5. Alex também tem esse poder sobre você? Bate aí, parceira.
    Não fui feita pra sair, curtir e nem nada do tipo. Acho que meus amigos já entenderam isso, mas às vezes se fazem de loucos e tentam me animar. Bom saber que eles se importam, mas se importam da maneira errada.
    Ou não. Nada de mais dar ouvido à eles de vez em quando, e chorar ouvindo Arctic.

    Crying Lightning

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  6. Muito 'eu' esse texto. Bonito. Faz a gente seguir a leitura sorrindo. Gostei muito, de verdade.

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  7. Delicinha de texto! Me vi muito nele porque também sou meio careta, meio dramática e curto uma fossinha também. Mas mesmo assim, é bom saber que temos amigas que estão sempre do nosso lado. Adorei!
    Beijos, Cat.
    http://blogdoceilusao.blogspot.com.br/

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  8. Que texto lindo e deprimente ao mesmo tempo. Quase chorei aqui! E estou super ansiosa pra saber de quem é o título! Muito lindo mesmo! Parabéns Four, você é fera! <3

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  9. Simplesmente maravilhoso! Ri no começo e me encantei no final!

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  10. é nessas horas que a gente desaba e ao mesmo tempo tenta ser forte. as marcas que ficam e aquele certo orgulho de ter segurado firme.

    :)

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  11. "Nem se eu tivesse nascido sino, eu badalaria decentemente" -> sensacional hahaha Eu me identifiquei demais com isso! Mas fiquei encantada mesmo foi com o final. Eu ficaria na fossa no cantinho escuro em casa e perderia a chance de viver um final assim.

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  12. Belo texto!
    Nunca entendi o porquê de ir na balada na fossa, sabe? Soa como desespero. Bem melhor ficar no sofá em baixo das cobertas comendo chocolate e dramatizando. Hehehe

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  13. Artic Monkeys sempre levantando nosso astral com suas músicas e suas letras incríveis.
    Acho que dançar ajuda a resolver muito dos nossos problemas, mas não os resolve por si só. A combinação choro + dança só deixa tudo mais intenso e, de certa forma, mais pessoal. No fim das contas, dançar é uma expressão de como o corpo se sente.

    Beijo gata!

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  14. "Olha, nunca fui uma pessoa que badala. Nem se eu tivesse nascido sino, eu badalaria decentemente."

    AMEI ISSO, Gabs!
    E sinceramente, amei teu texto. Acho que essa coisa de amigas que querem te fazer sair veio a calhar com meu momento de vida um pouco... Mas adorei, mesmo.

    E, né... Quem é que nunca começou a chorar e dançar no meio daquela música? *-*

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  15. AI FOUR!
    QUe delicia, que delicia que delicia!
    Vontadezinha de compartilhar o texto inteiro no facebook <3

    coisa linda voce, coisa linda esse texto.
    Beijos

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  16. Que texto! Me identifiquei total, ainda mais por causa da música mais que amor do Arctic Monkeys. Lindo lindo lindo <3

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  17. Eu também não sou festeira e prefiro ficar em casa mofando a ir numa festa cheia de gente que provavelmente terminará em vômitos e flertes por todo lado. Eca, prefiro meu sofá e o meu computador, então acho que podemos compartilhar esse troféu. Se bem que, por uma festa que toca Arctic Monkeys eu até poderia pensar em ir. E quanto ao choro, na sua situação eu não saberia o motivo. Eu choro pra tudo, mesmo sem saber o sentimento. É chato, mas depois de 18 anos... já me acostumei ;)

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  18. Esse é qual capítulo de qual livro que tu tá escrevendo? Vai demorar pra ser lançado? Eu ganharei um exemplar autografado? ;)

    Ótimo como sempre, Four ;*

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  19. Gabi to usando um layout seu e queria mudar o estilo da data para o vertical (pra por imagem no fundo e etc) mas não consigo, socorro! ahaha nenhum tutorial que eu tentei deu certo, to usando o seu primeiro modelo.

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  20. Brigada Gabi, mesmo! ahaha
    vou disponibiliza sim, obrigada pela dica1 haha

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  21. Curti muito o texto todo, Four, mas a frase do sino realmente tomba com tudo! HAHA gênia!
    beijo

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  22. Também sou dessas que gosta de curtir a fossa de maneira calma, nada de festas. Festa não tem graça se você for sem vontade, penso assim.

    Ah, e a frase do sino...também se aplica a minha pessoa. Haha. :)

    Texto muitomuito bom.

    Beijo =D

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  23. "Nem se eu tivesse nascido sino, eu badalaria decentemente." disse o que eu sempre quis escrever e nunca soube.
    Que texto maravilhoso!

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