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6.6.12

o amor me dá ódio

daqui
Isso não é uma resenha, e longe de mim fazer uma. Esse texto é sobre o meu ódio. Ou sobre como um personagem é tão grande dentro de uma história que faz com que você o odeie. Sevérine Boulard, eu odeio você. Do fundo das minhas vísceras, eu odeio você. 

O amor me dá fome é um livro bom, ganhou 4 estrelas no Skoob. Eu realmente gostei, tem uma historia simples, mas não comum e batida. Gira em torno da família Boulard, família essa dona e moradora do Hotel Boulard. O ponto principal é a maldita Sevérine – que tem um lindo nome e uma linda cor de cabelo – mas que não vale mais que isso. Não, ela não é má pessoa. Não de todo. Mas eu detesto tanto essa Sevérine que poderia fazer um post inteiro apenas repetindo “Sevérine Boulard, eu odeio você” e ficaria satisfeitíssima com o resultado, mas isso não faria sentido para você que está lendo, por isso eu tentarei explicar porque a detesto tanto e porque ela entrou para o rol das mocinhas abomináveis, mesmo não sendo uma pessoal completamente ruim, como eu já disse. 

Pelo que se lê, Sevérine é bonita, elegante e esperta. Inteligente ela não é. Quero dizer, não dá para saber se ela é inteligente racionalmente, mas emocionalmente ela é uma porta, daquelas de plástico que formam uma sanfoninha, sabe? Ela tem o emocional de uma criança mimada que cresceu e virou uma adulta nojenta. Essa é Sevérine. E como eu a detesto por isso. Ela é casada com Georges, que a meu ver é um ótimo marido. Tão ótimo que só se pode reclamar dele por ser realmente um ótimo marido, Sevérine inclusive compartilha da mesma opinião. Só que ela nunca se apaixonou por ele, em dez anos de casamento. E então, já que não ama o marido, resolveu que ia amar um duque espanhol careca. Nada contra os caretas, pelo contrário, olha um exemplo para provar isso. Mas Toni é um duque espanhol careca e testudo. Nada contra isso também, aparência não é lá tão importante quando a gente gosta de alguém. A questão é que eu jamais vou me conformar por ela ter se apaixonado por Toni em uma noite, uma única noite, e daí é só ladeira abaixo porque essa maldita chora por ele o livro inteiro. Deus do céu, quanto mais eu escrevo sobre ela, mais meu ódio se inflama porque olha, desgraçada viu?! 

Acho que não comentei que ela é egoísta. Ela é muito egoísta e manipuladora, embora sejam características naturais, ela não é assim “de propósito”. Sevérine é uma pessoa querida, afinal. Infinitamente querida pela Vovó Boulard, que também conseguiu fazer com que eu detestasse, ainda que por breves instantes, uma velhinha fofa e de algodão (velhinhos me lembram algodão) pelo fato de que essa velhinha fofa e de algodão é obcecada pela neta mais velha a ponto de ficar meio cega de amor e ignorar os netos mais novos, irmãos de Sevérine. Eu não queria que esse texto ficasse longo, nem queria expor toda a história do livro, só queria mesmo compartilhar o meu ódio platônico por essa mulher que tinha tudo para ser magnífica. Talvez seja mesmo magnífica com seus pulôveres e saias combinando, mas também é nojenta, autoritária e manipuladora, ainda que sem querer querendo. 

O ponto alto do livro é um fato que ocorre entre Babá (irmã de Sevérine) e Toni, e veja bem, ocorre dois meses antes de Sevérine ser apresentada ao Duque Careca&Testudo. Você bem sabe o que aconteceu entre eles, certo? Certo. Esse acontecimento teve uma consequência que bem, nasce lá pelo final do livro. E é justamente quando a notícia é dada à Vovó e Sevérine, esta última protagoniza a cena aonde meu ódio chegou a picos de 800% por ela. Na verdade, foi o auge do meu ódio por essa criatura detestável. Ela reage, digamos, miseravelmente, horrivelmente, medonhamente! Faz com que a gente queira bater nela. Eu quis muito bater nela. Fiquei chocada com o quanto ela pode ser mesquinha e egoísta e nojentinha e infantil. E como por culpa dela, todos vão embora e ficam longe por meses, enquanto ela definha de amor pelo duque espanhol. Também a detesto por ter perdido seis meses de vida se desmanchando como um pedaço de papel molhado. Mas aí que conversas são tidas e resolve-se que a parte desertada da família deveria voltar para o hotel. E volta mesmo. Nessa volta, Sevérine se infla de desejos pelo duque, que ainda dá bola pra ela, mas não a quer mais. Rá. Ele se apaixonou por Babá, a irmã mais nova, a irmã magrelinha e blasé para a vida, que passa o dia dormindo (Meu Deus, parece eu!). Rá!, Sevérine, apenas Rá! para você. No fim das contas, ela chora mais um pouco pelo duque e depois resolve que vai se dedicar mais ao marido, que é o que ela devia ter feito desde o início e jamais ter pensado em traí-lo, Sevérine sirigaita. Sou team Georges mesmo. 

Nessa altura do texto, posso dizer que as coisas acabam bem, embora ela ainda me fale em Toni até o fim. Peço desculpas por ter contado toda a história do livro. Não sei nem se você interessaria para ler, agora o sei menos ainda. Não sou boa com resenhas, e é por isso que não as faço. O amor me dá fome, La Mandarine no original francês (fiquei admirada por La Mandarine ser um abajur tangerina fofo e vintage, quero um.) é um livro agradável de ler, e quando digo agradável me refiro ao fato de que você não sente vontade de largá-lo no meio, apesar do ódio iminente que se sente pela protagonista miserável e desgraçada. Tá, talvez você não a odeie se resolver ler o livro, mas eu a odeio e esse é um direito meu. E mesmo que você leia e não a odeie, não mudará o fato de que odiá-la é um direito meu que faço questão de exercer. Esse é um ponto a favor do livro, porque se alguém na história é amado ou odiado ao extremo quer dizer que tem personalidade e vale a leitura. Sem contar que a escrita é muito boa, é leve e a gente lê que nem sente. Ignore meu spoiler, finja que não sabe a historia inteira e leia La Mandarine.

13 comentários:

  1. hahaah seus textos são muito bons!
    Eu imagino o quanto deve ser odiosa essa garota, depois do que li, rs
    Me interessei sim pelo livro.. não que eu vá atrás de comprá-lo, mas leria de bom grado.

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  2. Hey Gabi,
    Severine deve ser horrível mesmo.

    Mas dá logo uma raiva dessas personagens que tem o mundo nas mãos porém insistem em viver novelas mexicanas!!

    Por favor, continue falando sempre dos livros. As vezes falta é sentimento nas críticas que vemos por aí.

    Há-braços.

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  3. Tenho birra com personagens que não funcionam na história. Aquela mocinha de O Morro dos Ventos Uivantes, por exemplo, era sonsa demais para ser "acreditável".
    Abraços.

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  4. Eu gosto do seu jeito de escrever Gabi! ahaha
    Me interessei pelo livro, fiquei curiosa para ver se detestarei a personagem desse jeito que tu a detestou. haha

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  5. Já tô odiando Sevérine. E quero ler o livro.
    E enquanto li seu texto, lembrei do ódio que senti enquanto lia "As Travessuras da Menina Má", do Llosa. Tinha vontade rasgar o livro ao meio e jogá-lo na parede. Mas AMEI aquilo tudo. É.

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  6. HAHAHAHAHAHAHA, Gabriela, você é hilária. Infelizmente, temo que não lerei esse livro, pois minha premissa é não saber o que vai acontecer no final das contas. Adorei a postagem, apesar do grande spoiler. Sem esse spoiler o texto não ficaria tão divertido e rico.
    E seu ódio ultrapassou o texto, tou co raiva de Sevérine até agora. Não gosto desse tipinho. RUM.

    Um beijo enorme, querida. Adoro você.

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  7. Odeio a Severine. Sério, você passou o post inteiro odiando essa mulher, e escreveu tão bem os motivos de odiá-la que agora eu odeio a Severine rs
    Nunca li o livro, não gosto muito de histórias românticas melosas. Só romances góticos, que são impossíveis, envolvem morte, tesão não-consumado e sangue. Nada contra romance, mas essas Severines da vida transformam a coisa numa merda só.

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  8. Nem preciso ler pra odiar Sevérine, você me convenceu! E o engraçado que enquanto lia eu me lembrava da Catherine, de "O Morro dos Ventos Uivantes". Ela também era uma porta sanfonada bem mequetrefe, brincando com Heathcliff da maneira que quisesse. Mas em uma coisa tenho que concordar com você: se um personagem é capaz de gerar tanto rebuliço na gente, é pq foi bem escrito e tem mesmo personalidade - coisa tão em falta nas protagonistas de ultimamente.
    Beijo!

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  9. Maldita Sevérine! haha
    Fiquei com vontade de ler o livro, principalmente pra ver se eu vou odiar a personagem também, embora agora eu já esteja meio influenciada xD
    Mas eu adoro o fato de que um mesmo livro pode despertar sentimentos diferentes, dependendo de quem lê.

    Enfim, sempre que eu venho aqui eu me sinto em casa. Sinto falta de quando eu passava horas lendo blogs sensacionais (o seu sempre foi um deles)... Restaram poucos daquela época.

    Beijos!

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  10. Temos um problema, fiquei com vontade de ler o livro, mas terei que esperar que todo o ódio que você me passou da tal Sevérine, passe!
    Adorei a "resenha"!
    Beijão.

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  11. Queria ter lido o livro pra explanar uma opnião, mas por enquanto, compreendo teu ódio. :~

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  12. HAHAHAHA ignorei os spoilers e quero ler.. Será que vou odiar tanto quanto vc Severine?? OLha o nome da moça, vem de severa não?!
    Quando vc deu um exemplo de careca, pensei na hora no careca mais lindo do mundo e que amo é claro. O Vin, e surpresaaaa!! Era ele quem você usou como exemplo :D

    bjoooos

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