um blog de inspirações e expirações

5.5.12

perdendo neurônios

daqui
Eu ansiava por ser uma blogueira livre e desimpedida para postar o que eu quisesse, quando quisesse. E ansiava ainda mais por SENTIR que eu sou uma blogueira livre e desimpedida para postar o que eu quisesse, quando quisesse. Queria tanto ser como tantos, que publicam fotos que tiraram, achados legais na vida real ou na virtual, desenhos que fizeram, um cd que ouviram, um livro que leram, um filme que viram, um pensamento maroto que pirlimpimpiou nas suas respectivas cabeças criativas... 

E eis que consegui. Cá estou eu, há algum tempo, publicando exatamente essas coisas que eu achava que faziam de um blog um lugar realmente pessoal. Que bom. Que bonito. Voltei mundo blogueiro. Ultimamente, tenho postado o que me dá na telha (admito o saldo devedor para visitas e respostas de comentários) e estou satisfeita com isso. Ér. Estava. Eu explico: enquanto pensava justamente isso – que agora sou blogueira livre – me dei conta de que sendo livre, deixei de ser literária. Então como é? É aquela história de plantar uma árvore em frente à janela: você ganha sombra, mas perde um pedaço da paisagem? Faz um tempão que não escrevo os chororôs de antes, com toda aquela melancolia de inverno, como fiz durante, praticamente, esses 3 anos. Não consigo mais enfeitar pro lado do frio o que ando sentindo, porque olha, em nenhum momento deixei de sentir. Creio até que pelo contrário: ando sentindo muito, tanto que transbordo e alago a escada de casa e as ruas da cidade. Então por que parei? 

Filosofia de Por que os homens fazem sexo e as mulheres fazem amor? (ou qualquer outro desses livros de autoajuda para casais, se é que posso chamar assim): mulheres não conseguem fazer duas coisas ao mesmo tempo (ou serão os homens? Não lembro direito). Então, se comecei a postar fotografias do céu, o cd de Anberlin que gosto e as garatujíssimas do paint (inclusive tem um monte delas que quero postar aqui), não conseguirei mais falar dos meus sentimentos daquele jeitinho piegas e meio sombrio (insisto nesses termos sombrios e melancólico porque foi que assim descreveram meus textos uma vez. Eu concordei, eram assim mesmo.) de antes? Confesso estar com medo, aflita e pensativa level ET-Alfa sobre o assunto. Estou com medo de perder meu lado que quer ser o Caio Fernando Abreu encarnado. De repente é só mais um dos meus dramas, vestido n’outra roupa, mas ainda assim me sinto ameaçada. Essa é a palavra. Ameaçada. Por mim mesma, por meus próprios quereres. Mas não é sempre assim? Somos ameaçados por nossos próprios quereres. E aquele meu plano de me recusar a morrer sem escrever um livro? Quén Quén Quén Quén Quéééén. 

De repente, foi só o meu jeito de escrever que mudou. De novo. Amadureceu? Creio que não seja isso. Talvez tenha mudado mesmo, por influência de blogs que ando lendo e da vontade de me mostrar mais na primeira pessoa. Talvez. Tudo é um belo e incômodo talvez. Caracterizo como medo (idiota e bobo) de perder minha essência. Isso realmente me soa muito idiota e bobo. Mas funciona bem. 

Vai ver não mudei nada. Vai ver só comecei a sentir medo de mudar alguma coisa.

11 comentários:

  1. Me sentia presa demais naquela coisa de só postar coisinhas literárias de sentimentos poéticos. Acho que no fim das contas cansei de me sentir exposta, aos outros e a mim mesma quando abria o blog. Queria meu blog de volta, mas sem ter que forçar a barra. Deu no que deu, posto o que me der na telha. Se fiquei fútil? Não. Só falo mais de futilidades, ué. HAHA

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  2. Muitas coisas também mudaram no meu blog, e realmente nosso modo de escrever com o passar do tempo sempre muda, as vezes porque amadurecemos ou simplesmente porque nós mudamos, não sei bem, mas isso é até positivo.
    As vezes também sinto medo de mudar algumas coisas, mas se não tentar nunca saberemos o resultado neah?
    bjus ;*

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  3. É mesmo engraçado comparar o blog desde que o criamos até o que ele vai virando. Nada é pra sempre.. nós podemos reparar muitas fases de nossas vidas, algumas, inclusive, como você disse, com mais liberdade, onde a gente se sente à vontade pra postar qualquer coisa.. outras, não.. A vida é sempre inconstante!
    Beijos, minha Four.

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  4. Sabe, já passei por uma fase como a sua. Tenho blog há quase cinco anos e não foram poucas as vezes que pensei "no que ele estava se tornando" (cheguei até a postar que não iria mais escrever, veja bem).

    No fim fico achando que há beleza nas transformações que acontecem na gente - e o que está escrito serve exatamente como um registro disso!

    E né, não precisamos escrever coisas relevantes sempre. Escrever, seja o que for, faz bem (e ajuda a gente a descobrir um pouco mais sobre nós mesmos).

    Então, se eu fosse te dar uma dica, seria essa: escreva livre. Com tristeza, paixão, raiva, prazer ou dor, cada texto teu há de ser um pedaço que também te compõe ;)

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  5. Eu acho que o grande problema, causador desse drama que você relatou, pode ser apenas uma cobrança inventada. Não tenha medo de se afastar das palavras, porque assim quem sente medo ao se aproximar são elas. Você está sofrendo é de muita pressão, apenas. Fique calma e deixe fluir, e você vai ver como você ainda é a mesma, mesmo que a escrita não seja.

    Beijos!

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  6. Eu também ando nessas de deixar um pouco de lado o estilo literário e me concentrar em textos randômicos na primeira pessoa. Mas acho que é uma fase; afinal, todos passamos por fases. Ou não. Enfim, eu gosto dos dois tipos, apesar de ultimamente preferir coisas mais pessoais do que coisas literárias.
    Beijo!

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  7. Tente se concentrar em tudo aquilo que vai te fazer bem... que haja sentimentos, que haja palavrões, que haja encanto... que haja -sempre- você em tudo aquilo que fizeres!
    abraços.

    Carlo Lagos.

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  8. Acredito que mudanças tragam certos traumas... porém essa deve ser uma nova fase sua. Aproveite tudo de bom e bonito desta sua nova fase.
    Comecei seguir seu blog a pouco tempo, só peguei esse sua nova fase, E me interessei pelo seu blog... veja só :)

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  9. Mudar o estilo da escrita nem sempre é algo ruim... não é porque não expressa mais seus sentimentos sombriamente que deixou de expressá-los, só mudou a forma de escrever e isso é legal, aumenta teu repertório. Garanto que quando precisar escrever algo melancólico saberá como e agora saberá também como falar em primeira pessoa, é legal. Válido. Não fique triste com isso, nem deixe que te desmotive!

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  10. Chego em período de mudanças, peço licença, estou pulando malas e roupas amontoadas, achei uma mala com cara de cadeira preguiçosa, posso sentar? Já sentei, peguei um café, não pense que sou espaçosa, enxerida, ou algo assim, suas palavras me deram passagem, é verdade, deram sim. esto indo agora, mas ficando ao mesmo tempo, quero voltar, vou voltar. Suas palavras acenaram, aceno de volta...
    Já fazia tempo que eu não encontrava profundidade por aí, encontrei por aqui, na redundância digo: encontrei por aqui, diz o eco.

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  11. hehe, acho que foi bem isso aí... medo de mudar alguma coisa, mas olha, uma vez alguém me disse e ficou gravado aqui, que a única certeza da vida é a mudança. estamos constantemente nisso, não tem como escolher, é só saber lidar! continuo amando seu blog!

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