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15.7.11

meu pedido de desculpas a Nicolas Sparks


Durante certo tempo e por várias vezes eu tentei ler ‘Querido John’, mas não conseguia passar das primeiras páginas. Não sei por que, mas me cansava muito ler sobre um cara – diga-se de passagem, um sargento do exército já bem crescidinho – que observava uma mulher alimentando cavalos ao mesmo tempo em que se lamuriava porque o romance não havia dado certo, então sempre abandonava o livro sem dar uma chance verdadeira a ele. Até que uma semana atrás me senti tão sem nada palpável que tentei lê-lo mais uma vez. Pulei sem nenhuma culpa o início tedioso que eu não aguentava mais repassar e pelo qual mantinha uma estranha antipatia, segui pelo restante da historia até que a personagem - sejamos íntimos - John começou a relatar sua convivência com o pai. Imediatamente eu senti que devia desculpas ao Sparks.

Admito, eu sou preconceituosa, julgo livros pela capa, assim sendo, passo batida diante de alguns grandes achados. ‘Querido John’ quase foi mais uma vítima: não vi o filme, não me interessei por ele quando todo mundo com quem eu mantinha contato se derretia e chorava baldes, nem quando eu vi uma desconhecida claramente emocionada o lendo no ônibus. Eu não dava a mínima para o amor gasto de John e Savannah. Honestamente, meu descaso nunca teve razão de ser, e eu não tive culpa, mas apenas e simplesmente não conseguia passar da cena dos cavalos. Porém, como a perseverança é o caminho do sucesso, continuei tentando até que consegui e, humildemente alisei a cara e me rendi a John e seu pai. Muitas pessoas me disseram que era uma historia corta os pulso, e sim, é triste do inicio ao fim, mas triste daquele jeito que faz o olho marejar. E eu não dou crédito a livros que não fazem meus olhos marejarem em algum momento. Se eu usasse chapéu, o estaria tirando nesse momento.

Me encantei pela vida de John, não pelo eterno amor à Savannah, nem pelo fato de a base militar dele ser na Alemanha (qualquer coisa referente a Alemanha ganha de imediato a minha simpatia), mas pela relação que ele tinha com o pai. Como o julgava relapso, como atribuía a ele a solidão que sentia, de como o culpava por sua época de rebeldia, e mais tarde, de como aprendeu que o admirava e sentia orgulho por ser a pessoa que era, apesar da ‘aparente incapacidade’ de criá-lo (não é spoiler: o pai de John sofria de Asperger. Caso interesse, procure no Google). Apesar da lengalenga (ai, como sou insensível!) de John e Savannah ser mais central, eu me prendia às partes em que falavam sobre o pai dele e li várias páginas com a segunda mente sempre me lembrando de que eu estava devendo reconhecimento a certo autor. Também senti identificação com o irmão de Tim, que é autista e me fez pensar no meu irmão caçula. Eu o enxerguei em cada ato e gesto de Alan. Senti o sentimento família durante toda a história, talvez porque eu esteja com mais saudades de casa do que tenho percebido, ou talvez porque este seja um livro que te faz admirá-lo por diversas razões.

No fim das contas, meu carinho se dividiu entre o pai de John e Tim, o melhor amigo apaixonado pela mocinha desde a infância – sempre tem desses – que me deixou pensando que ele era fictício demais para o meu gosto. Ninguém pode ser tão bondoso. Ninguém pode sentir um amor tão desinteressado. Ninguém pode querer tão verdadeiramente a felicidade e a segurança de alguém. Isso, ou eu encarnei São Tomé aqui. Acabei o livro sem grandes surpresas: é previsível ao ponto de já no início eu saber que terminaria com a mesma cena com que havia começado, mas nem por isso menos encantador.

Sparks é dono, Deus o abençoe, de uma escrita simples e inteligente. O livro foi fluindo (depois da cena lamúrias & cavalos, é claro), e realmente achei um belo e humilde relato. Sabe quando algo te ganha pela beleza de ser simples? Foi exatamente assim comigo e Querido John. Antes de chegar à metade do livro, eu já estava me maldizendo por ser sempre tão cabeçuda, e sei que já está ficando repetitivo, mas realmente sentia que devia pedir desculpas ao Sparks. E senti tão sinceramente que aqui estou: Nicolas Sparks, clap clap para você.

30 comentários:

  1. Ah, é lindo mesmo! Triste, mas lindo! Depois de "O diário de uma paixão", ele é o melhor do Nicholas Sparks, rs.

    Beijos!

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  2. Nossa, eu pensei que era só eu que tinha torcido o nariz para o começo de "Querido John".Parei de ler na mesma parte que você havia parado.

    Mas depois deste texto, acho que vou retomar a leitura.

    Obrigada pela dica ;)

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  3. Era incrível como seu relacionamento com o John mudava quando falavam sobre moedas, adorei a história por essa parte também, e não gostei muito de Savannah ;s
    beijos flor.

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  4. Eu não li este livro, mas amo o filme.

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  5. É encantador realmente, ainda bem que deu chance ao livro (:

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  6. Mt bem relatado! Para quem não conhece acaba criando uma significante curiosidade, sem falar que a leitura é de mt bom gosto!

    ;)

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  7. Livro também tem muito de momento. Se você não tá no humor da história, não vai rolar mesmo. A gente tem que estar aberta ao livro, e não ele a nós. Essa é a verdade.

    Nem cheguei perto do Querido John, mas lendo seu texto me lembrei do livro A Menina que Roubava Livros. A maioria das pessoas o abandonaram nas primeiras páginas, porque era chato, e nem sabem o que perderam.

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  8. Eu nunca li o livro, mas o filme foi a coisa mais decepcionante que eu já assisti. Sei que devo ser parte da minoria - minoria meeeesmo - mas eu imaginava uma coisa e o filme não me emocionou em NA-DA. Até mesmo na hora dos conflitos com o pai, ou a morte. Na-da. Talvez o livro seja diferente... vou tentar ler. haha!
    Um beijo!

    @biacentrismo - http://biacentrismo.blogspot.com

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  9. Eu também passei ilesa pelo momento onde o resto do mundo só falava desse livro, via filme, chorava rios e coisas do gênero. Pra começar porque eu tenho preconceito contra livros com capa de filme. Livro tem que te capa de livro e pronto, haha. Mas de repente me deu vontade de ler. Minha mãe pegou emprestado com uma amiga, e agora vou acabar lendo. Confesso, fiquei curiosa.
    ;)
    Beijos!

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  10. Ainda não li, mas fiquei sedento por fazê-lo... apesar da pilha de livros q tenho pra ler, vou abrir um espaçozinho pra esse! Adoreii Gaabs!!!

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  11. Oi, Gabi!
    Olha, a relação que John tinha com o pai foi a coisa que eu mais gostei no livro. Me emocionei bastante já lá pro finzinho quando tudo ficou mais difícil pros dois, sabe? Chorei muito.

    Agora, se for pra falar da Savannah... Que personagem mais chata >_< Não gostei dela nadica de nada.

    Mas, se for pra escolher o livro que mais gostei do Sparks, não seria esse... Enfim, cada um no seu quadrado, né? =P

    Beijos ;*

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  12. Amei o livro e o filme. Apesar, é claro, do livro ser mil vezes mais perfeito.

    Gostei também da relação de John e seu pai, a história deles me emocionou mais do que a história de amor.

    Beijos. :)

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  13. Eu tambéeeem comecei a ler e parei, muitas vezes.. talvez depois desse textos (de uma pessoa realmente confiável) eu volte a lê-lo. tenho aqui em casa e n aguento mais essa capa de filme, preconceito, eu sei :x

    beijo, gab

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  14. Ter tido essa antipatia no começo, com certeza te ajudou a tirar uma lição ao fim da história. Eu compro livros pela capa também, mas temos que ter cuidado.

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  15. Puxa
    Querido John me passou batido. Rolou a mesma apatia com as pessoas ao meu redor se derretendo pela história. Simplesmente não me interessou, nem depois de ver o trailler do filme no cinema.
    Mas talvez eu ainda me arrependa que nem vc.
    Um dia dou uma chance a ele
    =P

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  16. Nunca li nada do Sparks. Só assisti "The Notebook" e chorei litros... e me emociono até hoje. Mas sei lá, tenho preguiça desse tipo de história previsível demais... só que agora fiquei curiosa pra ler algo dele. Quem sabe...

    saudade ENORME de vir aqui.
    Um beijo, moça bonita.

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  17. Li O Milagre dele e é MUITO BOM! Estou morrendo para ler outros livros mas, no momento, não vai rolar. :(

    Fazia tempo que não vinha aqui. É sempre bom voltar!

    Beijinhos!

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  18. Eu também sou preconceituosa com esse tipo de livro. Mas Sparks me parece irritante, já tentei ler e não gostei. Os filmes são extremamente melosos, também detesto.
    Considero bastante "guerreiro" quem vai até o fim de um livro desses.
    Beijos.

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  19. Olá querido seguidor,

    Comunico que o Blog da Michele mudou de nome e caminho. Com pseudônimo registrado para assegurar meus direitos autorais em relação a textos pessoais o nome e caminho do Blog agora:

    Michele Santti
    http://michelesantti.blogspot.com/

    Igualmente o Twitter
    @MicheleSantti

    e FaceBook
    facebook.com/michele.santti

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  20. Também gostei muito do livro, mas cheguei a preferir A Última Música :)
    beeijos

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  21. Percebi o quanto o filme fez sucesso, mas não me interessei nem um pouco em vê-lo. Tenho evitado as histórias de amor, sempre repetitivas demais, para coisas novas. Leituras novas. E bom, pelo que você disse, parece ser bom. Eu já tinha visto um filme com um cara com a síndrome de Asperger, Adam. E me interessei muito em saber o que era e me encantei com o final do filme. É mais fácil se interessar pelas coisas menos comuns do que as comuns.

    Um beijo.

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  22. Eu li Querido John para poder fazer uma surpresa pra alguém que amo, e tenho muito que agradecer ao Nicolas, ahaha. Enfim, adorei teu blog, me identifiquei muito com os teus textos. Se puder passar lá no meu pra conferir, ficarei grata. Beijos.

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  23. Eu sempre fui fã dos livros do Nicholas Sparks mas confesso que no início de Querido John fiquei meio entediada. Mas fui me encantando, e assim como você, o meu maior laço de afeto com o livro foi a relação de John com seu pai. Em cada trecho dos dois, eu ficava angustiada, e queria incontrolavelmente uma aproximação maior dos dois. Eu chorei uma vez enquanto lia o livro, e foi na parte em que o pai do John morre. Quanto a Savannah, não gosto nem um pouco dela. Enfim, adorei o post! Um beijo!

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  24. confesso que desenvolvi certa antipatia por Nicolas Sparks, basicamente por ele ser o queridinho de muitos e isso me fez acumular uma expectativa muito alta em relaçao aos seus livros. quando li "Diario de uma paixao" (um dia ainda assisto o filme), fiquei muito desapontada. quer dizer, pode ser uma linda história de amor e tudo mais, mas esperava algo menos clichê. sim sim, adoro dramas e finais nem tao perfeitos haha.

    ok, acho que este comentário esta ficando gigante, mas ainda devo comentar algumas coisas :3
    vou dar outra chance ao autor, sei lá, tuas palavras foram tao convincentes que vou tentar de novo. vou arriscar com esse livro.
    e fiquei um pouco curiosa a partir do momento que você disse que o pai de John sofria de Asperger e bom, tenho um irmao que tem isso.

    adorei a maneira como você fez essa resenha (?) ou pedido de desculpas, ficou com um toque pessoal e adoro esse tipo de texto.

    ok, parei de falar.
    se cuida :*

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  25. Já vi o filme e achei lindo. Quero muito ler o livro.

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  26. Nem li o livro. Num sei, ainda não me ganhou. Mas quem sabe uma hora eu também leia e peça desculpas a Sparks. ;)

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  27. Concordamos que Nicolas Sparks é dono de um talento incrível, dele li apenas um livro, mas estou louca para ler dois, que são eles Querido john, mesmo antes de ler tua postagem e diário de uma paixão.

    Pelo visto irei ficar um pouco angustiada com o começo do livro assim como você, mas irei dar o máximo de mim para conseguir lê-lo todo, sempre faço isso, me esforço até conseguir, costuma acontecer muito quando leio Clarice Lispector, sempre tenho que fazer uma força enorme, mas sempre, repito, sempre, vale a pena.

    Adorei a postagem. :D

    http://amar-go.blogspot.com/

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