um blog de inspirações e expirações

4.8.09

O ponto que aumentei no conto

Os ponteiros do relógio faziam mais barulho que o normal. Passei horas admirando o teto do meu quarto. O sono fugiu de casa essa noite. Enquanto milhares de pensamentos na minha cabeça conversavam com a minha insônia, olhei para o relógio ao lado que marcava seis e meia da manhã, e aquela noite me pareceu mais longa que qualquer outra. Era cedo ainda, e o silêncio era minha única companhia. Meu quarto tinha ares de saudades. De repente, o telefone tocou. Levantei-me um pouco e do outro lado, uma voz que mal conseguiu falar.
Clara. Uma voz sempre tranquila, naquele momento parecia uma canção triste. Entre soluços e lágrimas, me disse:
- Sonhei novamente com aquilo. Todo meio de mês é assim, e sempre me pergunto: "até quando?" Não suporto mais isso, e acho que vê-lo será a solução, mas não posso ir sozinha. Minha razão diz que não devo, mas meu coração pede um reeencontro. Vais comigo. Passarei aí às nove.
E desligou.
Pobre Clara, todos os meses, era atormentada por aquele fantasma. Telefonemas, choros, angústias. Não podia abandoná-la nesse momento, mas também não havia nada que eu pudesse fazer, a não ser acompanhá-la nessa visita. Fiquei surpresa e feliz por ela, diante da coragem de revê-lo, depois de tantos meses tentando esquecer os pesadelos.
Levantei e fui tomar banho. Depois, o café da manhã, enquanto imaginava os olhos sem expressão de Clara. Uma buzina me chamou lá fora. Fechei a camisa, peguei as chaves e vi nos olhos de Clara o mesmo vazio que havia imaginado.
Entrei no carro e dei-lhe um bom dia animado. Ela fingiu um pequeno susto e sorriu tortamente pra mim. Seguimos em silêncio, e depois de alguns quilômetros perguntei onde estavamos indo. Ela disse : "Confie em mim, é logo ali."
Chegamos a um bosque de eucaliptos e pinheiros altos. Pássaros cantavam. Um lugar triste e bonito. Clara estacionou perto de um caminho estreito, e caminhou por ele. Segui atrás dela.
Caminhava distraída e bruscamente colidi com os olhos marejados de Clara, olhando um túmulo de mármore branco, rodeado de girassóis.
Ela chorava. E eu pude sentir a dor que sentia, e que tentou, com sorrisos, esconder todo esse tempo.
Me aproximei um pouco, para ver o que dizia o epitáfio.
Aqui jaz o amor.

O amor havia sido enterrado, mas continuava vivo.



A Fernanda contou o conto,
que criou asas com a Aline,
seguiu novos destinos com o Antonio,
brincou de repousar com a Dani,
recomeçou a viagem com a Mariana,
escolheu novos destinos com o Nasca,
criou vida nas palavras de Marina
dormiu uns dias na casa de Patrícia
parafraseou na imaginação da Pamêla
pousou na primavera desse ano comigo
e agora estende a visita à casa da Ariane.

10 comentários:

  1. Sabe o que eu mais gostei, Gabi? É que tu não ficou toda cheia de rodeios. Teu texto ficou intenso, mas curto e direto, coisa que poucos tem o dom de fazer: tocar falando pouco. Você fugiu dos detalhes, mas não da essência.

    Amei!

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  2. Direto e ainda assim bonito. Tão bonita, essa história.
    Adorei esse conto, todas as versões dele!
    =D

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  3. Lindo ver uma historinha que se desenha de tantas formas tão bonitas.

    A sua não é exceção.

    Beijo, florzinha.
    ;*

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  4. Adorei. Faço minhas as palavras da Maria Fernanda =)

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  5. Achei demais. Confesso que eu meio que quase chorei. É.
    beijos

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  6. Ô se é!

    A-do-rei!

    Um xêro procê!

    .

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  7. Só avisando que eu te dei um selinho lá no meu blog!
    Bjinhos coloridos
    =***

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  8. liindo post..quem conta sempre aumenta um pouco,neh?

    ameii!

    bjOo!

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  9. Ga, tem selo procê...passa lá...beiju

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  10. Adorei o post... Aliás, adorei o blog. Parabéns!

    Vou visitar mais vezes.

    Beijos,
    .Luana.

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