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3.6.09

E mamãe, Mariinha?

- Mariinha, minha filha, como é que anda a sua mãe?

Mas quem diabos era aquela mulher que me parou na rua perguntando pela mãe de Mariinha? Não me chamo Mariinha, não conheço ninguém com esse nome e minha mãe passa bem, obrigada. Foi o que eu pensei em dizer àquela mulher que sorria para mim um sorriso cheio de dentes. Detesto esse tipo de engano. Sempre achei que eu tinha uma cara incomum, e me aparece essa senhora me confundindo com Mariinha. Honestamente, senti uma vontade danada de conhecer essa moça, só para saber se ela é parecida comigo...

- Ei, Mariinha, sua mãe como tá? Melhorou daquela sinusite?

Agora, peço perdão pela expressão, mas lascou tudo. Mamãe nem tem sinusite. Justo hoje, dia de reunião na escola, dia em que eu acordei atrasadíssima, muitos minutos mais que o normal, e de brinde, ainda está fazendo um calor miserável, essa criatura surge assim na minha frente. Pior é que eu sempre tive uma incrível vontade das pessoas. Algo como a serpente e o homem de flauta. E essa senhora surge assim no meio do meu atraso, me chamando pelo nome errado – e que nome, diga-se passando, parece coisa de novela de época da Globo, com direito a enredo em fazendas e mocinhos da cidade grande - e ainda me pergunta pela sinusite de mamãe. Pena eu não ter uma câmera agora. Vocês precisam ver o retrato dessa estranha. Uma mulher baixa e gorda, já meio velha também. Pele queimada de sol e cabelos encaracolados, na altura dos ombros. Um vestido nos joelhos, estampado com florzinhas miúdas – típica estampa de feira – uma rasteira nos pés, um colar vermelho de bolas e um lenço na cabeça, como se fosse tiara. Mas, verdadeiramente, a única coisa naquela mulher que me encantou mesmo foi a voz. Uma voz forte, com presença, e por algum motivo que eu não sei, parecia não pertencer a ela. Era como se ela abrisse a boca, imitando as palavras, mas o som viesse de outro lugar. E aquilo me fez parar naquela senhora estampada. Queria ouvi-la falar sobre o mundo, as coisas, e sobre a vida. Sobre filhos ou netos, se ela os tivesse. Sobre os ensinamentos da vida. Sobre qualquer coisa.

- Mamãe está bem sim. Precisou ir ao médico e comprar alguns remédios, coisa de dois dias de cama, mas já está melhor. E a senhora, como tem passado? Ainda mora no mesmo bairro?

Sei lá o que aquela mulher fez comigo. É como eu disse: algo como a serpente e o homem da flauta. Eu queria conhecer aquela geração mais velha que a minha, então decidi que faltar a reunião da escola e ser Mariinha por algumas horas não me faria tanto mal assim.

14 comentários:

  1. Adoro você "cronicando".

    Beijosmeliga.

    [Dulce morreu, droga].

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  2. Você não matou Dulce. Aliás, acaba de me dar uma ideia mara!

    (:

    Boas noites, frô.

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  3. Hauhuahauhauhauahuaha.

    Ô, trem besta! É uma luzinha, só. Quando eu amadurecer direito, te conto.

    :D

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  4. Adicionei. \õ/

    Agora vou drumir.

    Beijoamn!

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  5. Tão bom de ler. És incrível, surpreende-me tanto a cada texto.

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  6. Beeem interior mesmo esse "Mariinha", não é? Adorei o engano! Já aconteceu trocentas vezes comigo por aí. Parece que tem uma tal de Gisele que é o meu clone. Sou louca para saber quem é essa mulher.


    Beeijo, mocinha bonita.

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  7. Ah, ia me esquecendo. Machado?! Quem dera minhas letras alcançassem o mísero rastro de sua narrativa! Mas quem sabe sou mesmo uma moça da velha escola, vai saber?


    Beijoo
    :*

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  8. E só mais uma coisinha, prometo... rsrs. O seu URL tá com defeito. Já tentei adiconar aos links favoritos, mas sempre aparece uma mensagem, avisando que as suas atualizações não podem ser exibidas. Dá uma olhadinha aí.

    Beijo e fui!
    :*

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  9. aaai, adooooro suas historias.
    sao tao perfeitas *-*

    otimo fds ;*

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  10. Ah, que história maravilhosa! Amei seu blog! Maravilhoso o jeito como você escreve...

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  11. Pior é que eu faço isso às vezes. Quando me confundem com outra pessoa, entro na "brincadeira", rs.

    Adoro aqui, seus textos são muito bons!

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  12. Adorei! Adoro pessoas também. Acho que eu concordaria exatamente como voce, e viraria "Mariinha", só pra saber como é!
    Me lembrou L.F. Veríssimo!
    Beijo!

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